Depois da caminhada prazerosa e construtiva que fizemos juntos, coletei no "Diário de Bordo" de vcs, fragmentos das falas de cada um, e fiz esta apresentação para ficar de recordação da nossa interação que foi tão especial. Espero que apreciem. Um grande abraço em cada um!
"O sábio não é o homem que fornece as respostas verdadeiras; é o que formula as perguntas verdadeiras." Lévi-Strauss
Não para finalizar,mas para fazer um apanhado geral do que foi discutido sobre blogs na educação é possível afirmar que: quando falamos em Blog estamos falando de conceitos como interação,cooperação e colaboração, todos essenciais na construção de uma proposta de ensino-apredizagem que seja significativa, eficaz, prazerosa e que instiga o aluno a usar a criatividade na sua construção. É uma maneira muito interativa de tecer conhecimento. Quando construímos um blog e divulgamos o endereço de acesso, de certa forma estamos buscando uma troca interpessoal com uma variedade muito grande de opiniões e pontos de vista, e essas trocas são elementos necessárias ao desenvolvimento dos indivíduos e estruturação do conhecimento. Então usar o blog de maneira educacional não só é uma grande possibilidade, como uma grande oportunidade de novos espaços de construção de conhecimento. Vamos lançar mão de todas as possibilidades, evidentemente que ainda estamos construindo, aprendendo, portanto ainda sujeitos a erros e ajustes. Mas isso não é motivo para não tentar não é mesmo? Vamos lá então, continuem alimentando seus blogs de maneira a criar espaços onde se faça educação e seja um canal de muita interatividade com seus alunos. Parabéns a todos que aceitaram esse desafio inicial.
Existem leitores que são indispensáveis. Enriquecem nossos textos, abrem horizontes, sugerem caminhos e ampliam as possibilidades. Escrevem para reclamar, para perguntar, para contestar, mas são sempre positivos. Querem construir. Como o Claudio, que ao ler um artigo em que eu falava do orgulho e da vergonha de ser brasileiro, soltou esta pérola: “... se tenho orgulho ou vergonha do meu país? Acho que tenho vergulho... Ou orgonha... Vale ter vergonha e orgulho ao mesmo tempo?”. Ótima pergunta Claudio! Ela resume a contradição do “ser brasileiro”. Hora somos abençoados, hora somos amaldiçoados. Na verdade, talvez sempre tenha sido assim, a história balançando como um pêndulo, indo cada vez para um lado. Se nos anos cinqüenta éramos o orgulhoso país do futuro, cheio de conquistas, de heróis, de música e de esperança, da metade dos anos sessenta à metade dos oitenta ficamos mais sérios, mais contidos, mais medrosos enquanto observávamos o “milagre econômico” e os generais carrancudos. Depois, na década de noventa, durante os anos da abertura, ficamos desorientados, desbundados, perplexos e ansiosos diante da abertura dos portos, da globalização e da democracia. E entramos no novo milênio para descobrir que faltava-nos preparo, estrutura, cultura, coragem e conhecimento para que o Brasil finalmente acordasse de seu berço esplêndido. E broxamos ao descobrir (na verdade, acho que para a maioria a ficha ainda não caiu) que é impossível construir um país sem um plano. E sem gente comprometida a realizar o plano. Pois deu no que deu. Não sei se tenho orgulho ou vergonha no país onde todo mundo tem opinião sobre tudo, baseado naquilo que ouviu dizer. Onde o principal meio de informação é a televisão apressada, superficial e refém dos objetivos comerciais. O país onde política é balcão de trocas. Onde a inveja é moeda corrente, onde uns torcem para que os outros não dêem certo. O país onde o conselho mais comum é: “Cuidado! Agora não é hora! Espera um pouco. Deixa pra depois.”.
Minha esperança está sabe onde? Em nossos filhos. Apesar do massacre cultural sem precedentes vejo neles uma centelha de indignação. Uma pequena chama de revolta produzindo uma tímida luz de esperança. Essa chama pequenina quase desaparece, sufocada por gente que acha normal o Presidente da República elogiar em público um político sabidamente corrupto. Ou o gari que devolveu ao dono o dinheiro perdido ser tratado como herói ou trouxa, nunca como uma pessoa normal. Gente que acha certo “inaugurar” obras pela metade em ano de eleição. Que a televisão explore a tragédia exibindo incessantemente videoclipes melosos da inocente menininha assassinada sabe-se lá por quem. Gente que acha normal um senhor de cabelos brancos, músico conhecido, dizendo na TV que “sem socialismo não dá pra falar de amor”.
É, meus amigos, não está fácil...
Temos que alimentar aquelas pequeninas chamas escrevendo, conversando, palestrando, explicando, provocando... Jamais nos alinhando aos que estão conformados ou acham “normal” o que deveria nos indignar. Para que depois que nos retirarmos da luta nossos filhos continuem até eliminar deste país a cultura do vergulho e da orgonha. Para que um dia um líder verdadeiro diga na televisão, de forma legítima e honesta:
“Nunca antes neste país as pessoas tiveram tanto orgulho. E vergonha na cara”.
“Pastorear sonhos é a missão do educador, não é dar “sonhos prontos”, empacotados, às pessoas – procurando, assim fazer com que elas eventualmente realizem sonhos sonhados por terceiros. Educar, ou pastorear sonhos, é ajudar as pessoas, primeiro, a sonhar seus próprios sonhos – a construir seus próprios projetos de vida e, encontrar as melhores maneiras de transformá-los em realidade. ” Moraes
O educador é especialista em conhecimento, em aprendizagem. Como especialista, espera-se que ao longo dos anos aprenda a ser um profissional equilibrado, experiente, evoluído; que construa sua identidade pacientemente, integrando o intelectual, o emocional, o ético, o pedagógico. O educador pode ser testemunha viva da aprendizagem contínua. Testemunho impresso nos seus gestos e personalidade de que evolui, aprende, se humaniza, se torna uma pessoa mais aberta, acolhedora, compreensiva. Testemunha viva, também, das dificuldades de aprender, das dificuldades em mudar, das contradições no cotidiano; de aprender a compreender-se e a compreender.